Dia 05 - Ouro Preto

O último dia de viagem foi destinado a conhecer Ouro Preto, Patrimônio Nacional tombado pelo IPHAN e considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Atualmente a cidade contém pouco mais de 70 mil habitantes porém, chegou ter uma população de 80 mil pessoas no século XVIII durante o “ciclo do ouro”. Lugar marcado pela história, Ouro Preto foi capital do estado de Minas Gerais, destacando-se na arte e na arquitetura, com alguns pontos que foram visitados, tais como:
· Igreja de Santa Efigênia e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos;
· Mina de Ouro (Mina Jeje) preservada;
· Ponte Marília de Dirceu;
· Basílica de Nossa Senhora do Pilar;
· Casa dos contos;
· Grande Hotel de Ouro Preto
O primeiro local visitado foi a Igreja Matriz de Santa Efigênia de onde se teve uma vista panorâmica da cidade histórica contrastando com as novas ocupações, que se assemelham ao centro antigo, com relação à morfologia urbana, com ruas estreitas e orgânicas respeitando a topografia do sítio, além dos telhados com a utilização da telha cerâmica. Entretanto, as novas casas diferem-se quanto à implantação no lote que na arquitetura colonial apresentava sobrados geminados e atualmente possuem afastamentos.
Igreja Matriz de Santa Efigênia. Foto Camila Leal (2017)
Em seguida visitamos a Mina do Jeje, lugar onde houve a experiência de entrar em uma escavação construída por escravos e vivenciar o espaço, aprendendo sobre a exploração do ouro e seu escoamento, a sabedoria dos escravos e as crueldades do período da escravidão, enfim, da história não contada do Brasil escravocrata.
Visitação à Mina Jeje. Foto Camila Leal (2017)
Logo após, visitamos a Vila dos Engenheiros, bairro de ocupação do final da década de 1960, que expõe ainda mais as diferenças de padrão tipológico. As casas se assemelham ao “estilo americano”: soltas em grandes lotes, com jardins e ligação direta com espaço público, sem uso de muros fechados, além de ruas largas. Nesse momento fomos acompanhados pela designer Andréa Dutra, moradora do bairro e fundadora da Miúda Mobília | Design Infantil. Além de nos contar sobre a história da Vila dos Engenheiros e da sua relação com o centro histórico, Andréa falou sobre o seu trabalho como designer de móveis, o processo de concepção e fabricação, certificação, mercado, entre outros.

Vista à Vila dos Engenheiros acompanhados por Andréa Dutra. Fotos Camila Leal e Lahys Barros (2017)
À tarde, visitamos a Basílica de Nossa Senhora do Pilar, que assim como a de Santa Efigênia, apresenta toda a riqueza da arquitetura barroca, destacando-se o interior com a presença de altares minuciosamente detalhados, expondo a singularidade do barroco mineiro. Lição do dia: "O barroco não foi feito no AutoCAD", frase proferida pelo divertidíssimo guia Eustáquio (Taquinho). Taquinho também nos apresentou aspectos fundamentais da igreja, como as colunas torsas do altar-mór, próprias do estilo barroco, os elementos em madeira folheados a ouro, o significado dos santos e dos símbolos dispostos no edifício. O ponto alto foi o passeio pela sacristia e pela cripta, locais repletos de imagens sagradas e mobiliário colonial. Seguimos para a Casa dos Contos, onde pudemos encontrar um amplo e suntuoso monumento do barroco mineiro original do ano de 1782, elevado a monumento mundial em 1980. O espaço possui atualmente a missão de preservar a memória econômica-fiscal do ciclo do ouro e da arquitetura barroca local, além de promover as artes e a cultura nacional.
Por fim, visitamos o Grande Hotel de Ouro Preto, única obra modernista da cidade projetado em 1940 pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Apesar do contraste na escala e implantação do edifício, a obra destaca-se pelo respeito na escolha dos materiais adequados ao contexto colonial como o uso do muxarabis, das esquadrias em madeira e da telha cerâmica na cobertura. Além disso o hotel expõe as qualidades típicas do modernismo como a fluidez espacial e a integração com o espaço urbano.
 
Vista do Grande Hotel Ouro Preto. Foto Camila Leal (2017)
Após os cinco dias de visita à diversas cidades mineiras com aulas de história, patrimônio, paisagismo, arquitetura, urbanismo, sociologia, tudo junto e misturado, pudemos perceber a articulação entre os temas visto em sala e como isso se reflete na dinâmica das cidades, desde os centros à periferia, das áreas históricas às áreas contemporâneas, das áreas nobres às áreas pobres. A experiência da viagem foi "TOPZIM", já estamos esperando o próximo destino!!

Relatos de Camilla Machado, Glaubervânia Souza, Jéssica Adriana, Júlia Lins, Nicole Lira e Olga Tavares, sobre v
isita no dia 27/10/2017
Revisado por Camila Leal e Luiz Monte

Dia 04 - Congonhas e Mariana

Quinta-feira 26/10/2017 
Em busca das obras de Aleijadinho, grande expoente da arquitetura barroca mineira, o quarto dia da visita técnica começa com o deslocamento de ônibus em direção à cidade de Congonhas, aproximadamente 78km de Belo Horizonte. Um verdadeiro sítio arquitetônico, que reúne um conjunto de obras de arte seja em igrejas e construções ou ainda em esculturas e pinturas que formam um complexo sublime do barroco e torna esse lugar conhecido internacionalmente.
Em Congonhas nos deparamos com o belo e inspirador Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, onde a basílica do complexo nos deu as boas vindas, juntamente com seus doze profetas de pedra-sabão. Uma verdadeira aula sobre história e arquitetura barroca foi dada sob um céu pleno azulado. A Cidade dos Profetas é um importante centro de visitação turística. Como curiosidade, no dia da visita encontramos estudantes fazendo desenhos de observação no local.
       Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Foto: Autores (2017) 
Analisando a fachada da basílica podemos destacar vários elementos típicos da arquitetura barroca como as características curvas e contracurvas, as duas torres sineiras, o frontão, a simetria, o uso da cantaria, um óculo, elementos decorativos e a marcação da entrada feita em pedra sabão; mesmo material das esculturas dos profetas que possuem uma incrível representação sentimental de movimento e graciosidade.
Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho), responsável por grande parte da concepção das construções conseguiu com talento e perseverança "tirar arte de pedra" e propiciar uma singularidade à arquitetura local mineira. O reconhecimento do barroco, estilo predominante da arquitetura mineira, deve-se ao trabalho de Aleijadinho. Além dos doze profetas, o ambiente conta ainda com outras esculturas nos Passos da Paixão que narram a peregrinação de Jesus Cristo durante a sua crucificação. Outro artista bastante conhecido pelo valor de suas obras, as quais podem ser apreciadas, é o pintor Manuel da Costa Ataíde. Algumas de suas obras estão na basílica do santuário e encantam todos os visitantes.
 
Profeta Baruc. Foto: Autores (2017) 
Seguindo viagem, o próximo destino foi a cidade de Mariana, aproximadamente 116km de Belo Horizonte. Lugar que revelou grandes surpresas e enorme riqueza histórica e, sobretudo, arquitetônica, pois reúne num mesmo local duas igrejas belíssimas de expressão barroca e ainda conta com uma Casa de Câmara e Cadeia. Em cada obra podemos observar traços da arquitetura barroca com seus ricos detalhes artísticos e os materiais utilizados como a pedra, a madeira e ouro, em alguns casos. Merece relevância também a paisagem que proporciona momentos de sublime admiração.
Basílicas em Mariana-MG. Foto: Autores (2017)

Casa de Câmara e Antiga Prisão - Mariana MG. Foto: Autores (2017) 
Ao caminhar nas ruas de Mariana pode-se perceber claramente que a cidade teve participação importante na história do estado de Minas Gerais. Podemos perceber que, apesar da dificuldades de preservação patrimonial dos edifícios e do espaço urbano colonial, algumas características do período podem ser identificadas como ruas estreitas e tortuosas, o alinhamento e altura das edificações e os largos em frente às construções principais.
Ao final do dia seguimos para Ouro Preto, que será o nosso último ponto de parada nessa viagem. Estamos ansiosos para descobrir uma das maiores e mais ricas cidades do período colonial. Amanhã tem mais!

Relatos de Gilvan Pereira, Joycce Alynne, Rebeca Falcão, Renato Rodrigues, Soraia Torres e Walter Pessoa.
Revisado por Valquiane Ferreira e Luiz Monte

Dia 03 - Eis que chega o dia tão esperado INHOTIM!

Conhecer de perto um dos mais relevantes acervos de arte contemporânea do mundo foi uma experiência cheia de emoções e descobertas. Não foi uma missão fácil otimizar o tempo que tínhamos e a seleção de obras para visitar, onde cada pavilhão tinha suas especificidades para explorar. Para isso optamos pelo serviço de locomoção por carrinhos, o que nos ajudou bastante. Então, pegamos nosso mapinha na recepção logo que chegamos para começar a aventura!
Olhando o mapa para não se perder… ou melhor, tentar.
Primeiramente não precisamos nem dizer o quão maravilhoso é estar em um museu onde a vegetação se integra às obras, junto aos pavilhões de volumetrias distintas e confere um cenário de tirar o fôlego. Ficamos encantadas e a cada passo era uma foto! haha
Cenário magnífico! Museu ao ar livre é o que há!
Na Galeria Matthew Barney não só a volumetria surpreende, a surpresa maior é o que se encontra no interior (foto direita). Os espelhos d’água no Pavilhão de Adriana Varejão, juntamente as formas do agenciamento e volumetria dançam numa harmoniosa sinfonia (foto esquerda)
A sintonia entre a vegetação e o concreto dos pavilhões são impressionantes.
INHOTIM não deixa a desejar, a identidade impregnada de cada artista atrai o olhar do visitante e o instiga a querer explorar mais o local. As surpresas percorrem museu e o melhor de tudo são as experiências sensoriais proporcionadas. Um dos pavilhões que mais chamou atenção nesse quesito foi o COSMOCOCA 5 Hendrix War, 1973 de Hélio Oiticica e Neville D’Almeida, o qual simula sensações semelhantes aos efeitos da cocaína. “Essas instalações consistem em projeções de slides com trilhas musicais específicas e usam fotos de cocaína desenhos feitos sobre livros e capas de discos de Jimi Hendrix, John Cage, Marilyn Monroe e Yoko Ono, entre outros.” (Curadoria INHOTIM)

Devemos destacar também a história do parque junto às oportunidades oferecidas aos habitantes locais, sempre reconhecidos e respeitados, unificando mais ainda a identidade do lugar. As atividades de INHOTIM ultrapassam seus portões, a arte se faz presente também por meio de intervenções locais na cidade de Brumadinho, as quais tomamos conhecimento pelo Instagram.
Chegando ao final do dia, após percorrer boa parte do Instituto, se perder e achar, visitar tantas galerias, obras e pavilhões tão inspiradores, estávamos exaustos de tanto ‘’bater perna’’, mas a sede de conhecer mais era maior. Pena que o parque já estava prestes a fechar as portas e encerrar expediente (ahhhh ☹).

Saudades Inhotim, já sentimos falta desse lugar incrível onde é impossível sair com a cabeça do mesmo jeito que entramos, e vale ressaltar que estamos extasiadas e loucas para voltar lá.
Valeu galera!


Relatos de Brenda Lima, Lahys Barros, Luiza Nascimento, Graça Alves e Mariana Vilar sobre visita no dia 25.10.2017
Revisados por Valquiane Ferreira e Camila Leal

Dia 02- Belo Horizonte (24.10.2017)

O segundo dia da viagem foi marcado pelas visitas à Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves de Minas Gerais, ao Estádio do Mineirão, ao Complexo da Pampulha - marcos da cidade de Belo Horizonte -  e à Ocupação Dandara, a mais emocionante das visitas!

Começamos o dia pela Cidade Administrativa de Minas Gerais, o projeto foi assinado por Oscar Niemeyer, a pedido do então governador do estado Aécio Neves. O espaço consiste em uma grande área verde, dois lagos e é formado por cinco edificações: dois prédios, o Palácio do Governo, o Auditório Juscelino Kubitschek e o centro de convivência.

A edificação do Palácio do Governo apresenta um grade vão livre sustentada por apenas quatro pilares externos que formam dois pórticos, sendo integrada com a área de convivência e as outras edificações. A estrutura de vidro é suspensa por tirantes protendidos com aproximadamente 160 metros de comprimento, além disso, a frente do palácio e a lateral do auditório possuem uma esplanada em concreto, sem nenhuma vegetação aparente. Localizado a poucos metros do Palácio, o Auditório Juscelino Kubitschek é recoberto por uma “casca” de concreto que serve de coberta. A integração entre os edifícios proporciona uma harmonia para o transeunte que por ali se desloca, sendo possível perceber a escala que são dispostos no terreno.

Entretanto, a precária disposição de áreas com arborização implantadas nos espaços abertos não contribui para formação de áreas sombreadas que possam amenizar a incidência solar direta, evitando ilhas de calor para o entorno e para as edificações, visto que são construídas majoritariamente por concreto e vidro. Durante a visita debatemos sobre o impacto da inserção urbana deste equipamento de grande porte e sua (des)conexão com a cidade, relembrando o debate no dia anterior na Praça da Liberdade com o Arquiteto Carlos Maciel.
Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. Foto: Camila Leal
Continuando o roteiro definido para o dia, a próxima edificação a ser estudada foi a Casa do Baile, já no Complexo da Pampulha. Um projeto assinado também por Oscar Niemeyer, inconfundível pela sua notável identidade advinda das curvas que parecem se fundir e integrar com a paisagem. O paisagismo de Burle Marx faz comunicação e integração com todo o entorno e os azulejos monocromáticos traz harmonia ao mesmo tempo que traça a sinuosidade do percurso em curvas. Na sequencia seguimos para o Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, com sua imensa estrutura de concreto. Após a reforma de 2010, para que o mesmo se enquadrasse ao Padrão Fifa e sediasse jogos da Copa do Mundo de 2014, e também a eliminatória do Brasil pela Alemanha, o estádio recebeu o "Selo Platinum do U.S. Green Building Council (USGBC), categoria máxima na certificação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED)." Dentre as várias medidas sustentáveis tomadas durante a reforma, vale destacar a adição de painéis fotovoltaicos na coberta do Estádio e o sistema de captação de água das chuvas.
 Casa de Baile, Pampulha. Foto Camila Leal
 Estádio Mineirão. Foto Lahys Barros
Seguindo a visita no Complexo da Pampulha chegamos ao Cassino da Pampulha, atual MAP (Museu de Arte da Pampulha), primeira construção do Complexo com forte influência de Le Corbusier. A presença do vidro é fortemente identificada, principalmente nas fachadas, seu interior é um convite para caminhar pelo espaço e perceber a dimensão da escala entre o observador e o objeto. Além disso, grandes janelas horizontais fazem o convite para o olhar a paisagem da Lagoa da Pampulha. A edificação é composta ainda por um auditório e um café, também com vistas privilegiadas. A visita à Igreja São Francisco de Assis representou o ápice do roteiro na Pampulha, esta que é considerada a obra-prima do conjunto e uma das primeiras obras de Oscar Niemeyer.  Uma capela num estilo totalmente inovador, mantendo os principais elementos da igreja católica, a partir da liberdade plástica proporcionada pelo concreto.

Cassino da Pampulha e Igreja São Francisco. Fotos: Camila Leal
Por fim, um pouco tímidos e "acanhados", mas guiados pela vontade de explorar o "desconhecido" através dos professores Camila Leal e Luiz Monte, fomos conhecer a Ocupação Dandara. Guiados por Sr. Orlando, um dos líderes comunitários que junto com quase 150 famílias e apoiados sob seus direitos e saberes legais, inclui-se o Plano Diretor de Belo Horizonte, construíram seus lares numa região até então "sem donos". Ali estava construído não só seus sonhos, canteiros, casas, igrejas, comércios, por trás de tudo isso havia um idealismo, sabedoria, luta e muitos ensinamentos para nós principalmente
Ocupação Dandara, Belo Horizonte. Fotos: Luiza Nascimento e Camila Leal
Após um pequeno circuito repleto de surpresas e emoção, concluímos que estávamos num local histórico para o urbanismo brasileiro. "Por que Dandara?", Orlando nos perguntou e ele mesmo nos respondeu, - Sabem a esposa de Zumbi dos Palmares? Porque ele não lutou sozinho!". Só chegamos em algum lugar quando sabemos o que queremos e Dandara nos mostra exatamente isso.
Ocupação Dandara, Belo Horizonte. Foto: Luiza Nascimento
Relatos de Jaqueline Caetano, Juliana Rego, Letícia Menezes, Maria Aline e Nycole Valentim
Revisado por Valquiane Ferreira e Camila Leal

Dia 01 - Belo Horizonte (23.10.2017)



Nosso primeiro dia em Belo Horizonte começou com uma caminhada pelo centro para que pudéssemos conhecer melhor a cidade, entendendo a relação da capital mineira com os pedestres. Percebemos a grande transformação do modernismo através das ruas amplas, os percursos estratégicos para os carros, edifícios garagem, edificações com pano de vidro, dentre outras características. Para melhor analisar a cidade fomos à cobertura do Hotel Normandy, podendo analisar Belo Horizonte por uma nova perspectiva, visualizando a Avenida Afonso Pena por inteiro e assim percebendo melhor o traçado da cidade e seus edifícios.

Avenida Afonso Pena. Foto: Lahys Barros

Vista do topo do Hotel Normandy Foto: Marília Luna


Nesse mesmo contexto urbano nos deparamos com o edifício Acaiaca, o qual apresenta os principais elementos clássicos: Base, Corpo e o Coroamento, tendo apenas a figura de dois índios como elemento decorativo. E com o Cine Brasil, trazendo linhas mais circulares e o uso de vitrais coloridos, característico também do Art Déco.

Edifício Acaiaca e Cine Brasil. Foto: Lahys Barros e Luiza Nascimento

Visitamos a Igreja de São José, onde foi possível analisar os capitéis das belas colunas da ordem coríntia, as abobadas de esquife, os clerestórios, os vitrais coloridos e as pinturas ilustrando os percursos de Jesus.

Igreja de São José vista do topo do Hotel Normandy Foto: Marília Luna

Vitral da Igreja de São José. Foto: Marília Luna.

 
Abobada de Esquife- Igreja São José. Foto: Luiza Nascimento

Conhecemos a prefeitura de Belo Horizonte e em seguida fomos ao Edifício Maletta, de uso misto, situado na Avenida Augusto de Lima, que oferece à população uma variedade de serviços de moradia e comércio. Aproveitamos a passagem para almoçar e recarregar as energias.
Na parte da tarde tivemos o privilégio de conhecer o arquiteto Carlos Maciel, do escritório Arquitetos Associados, que nos encontrou na Praça da Liberdade para uma conversa sobre a história da cidade, o seu planejamento e sua evolução e a relação que os belo-horizontinos têm com o seu patrimônio. Carlos também deu uma volta com nossa turma ao redor da praça, nos trazendo particularidades de cada edifício do entorno, incluindo como exemplo, o Edifício Niemeyer e o centro de informação turístico.

Praça da Liberdade. Foto: Marília Luna

Edifício Niemeyer. Foto: Lahys Barros



Centro de Informação Praça da Liberdade. Foto: Lahys Barros.


Ao fim do dia, tivemos a oportunidade de ter uma conversa com alunos de Arquitetura e Urbanismo da UFMG, uma faculdade bastante tradicional existente há 80 anos, partindo disso, buscamos entender a realidade de se estudar em uma universidade de arquitetura pública que possui seu próprio campus, sendo guiados por uma das representantes do D.A., e conhecermos uma metodologia de ensino bem diferente da qual estamos habituados, nos mostrando outro ponto de vista e limpando nossa visão para outros sistemas educacionais e outras formas de ver a Arquitetura e o Urbanismo.

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo - UFMG




Relatos de Bruna Carvalho, Júlio Poroca, Marília Luna , Pedro Matheus e Valquiane Ferreira.
Revisado por Valquiane Ferreira

Construindo o conceito desconstrutivista

A arquitetura desconstrutivista é um movimento surgido em meados dos anos 1980 que, diferente da arquitetura moderna, possibilita uma maior liberdade na forma e nos espaços, sem as limitações dos elementos geométricos simples e sem a obrigação da forma seguir a função. O resultado disso é algo totalmente diferente do que já foi visto até então, tendo como principais características a ausência de simetria, continuidade e harmonia. Essa nova maneira de criar e organizar espaços tem, em sua grande maioria, paredes que dispensam alinhamentos, vigas sem apoios e torcidas, curvas orgânicas e edifícios desprovidos da ortogonalidade. (MALARD, 2006)

Os edifícios desconstrutivistas dão “asas à imaginação”, tanto de quem os observam e vivenciam, quanto daqueles que os projetam. Porém, muitas dessas obras, só são possíveis graças aos programas de computadores e à evolução de técnicas construtivas e de materiais. (MALARD, 2006)

Inicialmente, alguns dos arquitetos conhecidos como desconstrutivistas foram influenciados pelas ideias do filósofo francês Jacques Derrida, que junto ao arquiteto Peter Eisenman, foram os precursores desse movimento. Eles propuseram uma série de rupturas em termos de conceito e forma e, desde então, diversos arquitetos se tornaram adeptos desse movimento como Frank Gehry, Zaha Hadid e Daniel Libeskind. (COLIN, 2009)

Gehry é de longe um dos mais ousados quando o assunto é desconstrução. Largamente conhecido na área, seus edifícios mais parecem que foram moldados pelos ventos, assemelhando-se, muitas vezes, à recortes de papel colados e sobrepostos, como no edifício Walt Disney Concert Hall (2003, Los Angeles). Essas características dão ao projeto sensações um tanto quanto contraditórias, pois é possível perceber uma leveza, gerada pelas curvas, ao mesmo tempo que o próprio volume dá uma sensação de robustez, resultado da grandiosidade que o mesmo possui. Esse movimento das ondulações do edifício simboliza o movimento musical. Porém, esses movimentos só foram possíveis graças às grandes estruturas de aço com colunas inclinadas à 17º.

Imagem 1: Walt Disney Concert Hall, Los Angeles, 2003, Frank Gehry.
Disponível em https://pixabay.com/pt/walt-disney-concerto-sal%C3%A3o-2380668/

Zaha Hadid tinha como principais características de seus projetos as formas não lineares, a fragmentação e as formas orgânicas como no Heydar Aliyev Center (2013, Azerbaijão). Neste vídeo é possível observar, de forma mais detalhada, toda a sinuosidade que esse edifício possui. No caso da Ópera Guangzhou (2010, Guangzhou) é perceptível o uso de linhas retas na composição desse volume irregular e assimétrico. O edifício está localizado numa região ribeirinha e rochosa, e é a partir daí que surge o partido. Usando a pedra como fonte de inspiração, a assimetria é a principal característica. Outro ponto que chama atenção é o fato do edifício estar sobre a água, lembrando de fato uma pedra em meio a um rio.


Imagem 2: Guangzhou Opera House, Guangzhou, 2010, Zaha Hadid.
Disponível em https://pixabay.com/pt/zaha-hadid-guangzhou-opera-house-2426093/

Diante disso, uma coisa é certa, a arquitetura desconstrutivista impressiona com tamanha liberdade de forma, provocando inquietação, curiosidade e emoção de quem está vivenciando a obra. Para saber mais sobre este tema, confira a dissertação de Gaylord Marques, da página 22 à 27, as infinitas possibilidades que o desconstrutivismo proporciona.


Por: Anderson Basílio
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Fontes:


MALARD, M. L. As aparências em arquitetura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

COLIN, S. V. Para entender o desconstrutivismo; Revista aU. Disponível em: <http://www.au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/181/para-entender-o-desconstrutivismo-estruturalismo-pos-estruturalismo-e-arquitetura-131095-1.aspx> Acesso em: 26 de setembro de 2017.

DELAQUA, Victor. "Casa de Ópera Guangzhou / Zaha Hadid Architects" 30 Mar 2012. ArchDaily Brasil. Acessado 20 Out 2017. <https://www.archdaily.com.br/40830/casa-de-pera-guangzhou-zaha-hadid-architects>

A resistência de identidades culturais segregadas

Ao ingressarmos no curso de Arquitetura e Urbanismo nos deparamos com frases como “precisamos de mais áreas verdes”, “é necessário vitalidade urbana”, “temos que preservar o nosso patrimônio”. Alguns desses ideais entram em nossas cabeças como absolutas verdades, mas pouca vezes paramos para pesquisar sobre esses temas e criar nosso próprio acervo. Pensando nisso, trazemos algumas questões: você sabe o que é patrimônio cultural? Será que patrimônio é só casa velha?
“Podemos dizer [...] que nos encontramos diante de um bem autêntico quando há correspondência entre o objeto material e seu significado. [...] O objetivo para a preservação da memória e de suas referências culturais deve ser estabelecido a partir da função de ele se prestar ao enriquecimento do homem, muito além daquele material.” (CURY, 2000: 326)
Muitas vezes a palavra patrimônio é associada de forma materializada e limitada à espaços públicos ou edificações que compõem a história de um determinado lugar. Claro que este fato não deixa de ser verdade, porém o termo patrimônio não é definido apenas por construções ditas como históricas, mas também como possibilidades de enxergar o nosso dia a dia e, acima de tudo, reconhecer e preservar os nossos hábitos imateriais, fazendo com que a sociedade crie de tal modo uma identidade valorizada e registrada como patrimônio cultural.

A exemplo de patrimônio imaterial pode-se citar a cidade de Salvador que apresenta alguns ícones correlacionados como as baianas do acarajé, as quais representam personagens importantes da cultura brasileira transformando os espaços arquitetônicos, monumentos, ruas e praças da sua região, bem como o candomblé.


Baianas de Acarajé. Foto: Iphan/Francisco Costa Moreira
Em 1984 o primeiro terreiro de candomblé foi tombado, a Casa Branca em Salvador, Bahia. “Era a primeira vez que a tradição afro-brasileira obtinha o reconhecimento oficial do Estado Nacional” diz Gilberto Velho (2006), antigo membro do Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em seu artigo sobre patrimônio. Muitos naquela época achavam desnecessária essa ação de tombar um espaço desprovido de construção, como diz Gilberto, quando o auge era enaltecer a arquitetura luso-brasileira. Para conhecer mais sobre essa discussão, você pode ler o artigo Patrimônio, Negociação e Conflito.

Essa discussão de “tombar ou não tombar” o terreiro permanece até hoje. Muitas pessoas não se sentem conectadas a este tipo de cultura e religião.  Vemos isso quando alguns dizem não ver a necessidade em tombar tal lugar por não ser um feito arquitetônico emblemático, porém, esse tipo de patrimônio representa muito mais que algo materializado, mas sim a identidade de um povo.

Você já parou para pensar que o candomblé também faz parte da identidade cultural da cidade de Caruaru??


É isso que o professor do DeVry|UNIFAVIP, Aristoteles Veloso, junto com alguns alunos, vem fazendo na sua pesquisa de iniciação científica "Memória, Identidade e Resistência", acerca das religiões de matriz africana na cidade.

Foto: Bruna Padilha. Acervo da Pesquisa

Em entrevista para nossa equipe, Aristoteles disse que o trabalho surgiu de uma intervenção na prefeitura de Caruaru, quando ele trabalhava como assessor de projeto. Eles estavam organizando a Conferência da Mulher e foram à Recife para ver como estava estruturada a conferência de lá. Ao chegarem, uma amiga os provocou: “já que estão fazendo uma conferência para mulheres vocês têm que levar em consideração as do terreiro” e eles nem imaginaram que haviam terreiros na cidade de Caruaru-PE.


Foto: Hugo Oliveira. Acervo da Pesquisa

A desvalorização dessa cultura é tanta que a sua maior dificuldade no trabalho é, até hoje, encontrar documentos escritos, arquivos e história sobre os terreiros, “é como se não existissem”, disse. O professor fala ainda que o trabalho foca no resgate dessa história, e que estão fazendo uma pesquisa no jornal Vanguarda para verem alguns relatos e trabalhando diretamente com eles. Ele, que teve contato com essa cultura durante a faculdade, fala que a ampliação do trabalho foi feita no “boca a boca”. Primeiro havia se contabilizado 29 terreiros, depois 50 e chegou a 62 terreiros identificados com essa metodologia. Na identificação, o professor explica que nem todos eram terreiros de fato, “tem uma certa diferença, é um templo religioso, tem uma estrutura maior, tem festas regulares, ritualística própria, muito mais coletivo do que uma simples mesa de reza, então hoje lidamos com 27 enquanto terreiros.”


Foto: Hugo Oliveira. Acervo da Pesquisa


Por fazerem parte tão fortemente da cultura do nosso país, perguntamos na entrevista se essas pessoas nos terreiros têm a consciência de serem importantes como patrimônio: “Não, falando por experiência. Elas sabem que fazem parte da cultura, mas a importância desse empoderamento, não. Ainda tentam de alguma forma, mas com ações “limitadas”. Essa consciência política é apenas individualista, é tanto que quando um Pai de Santo morre, a casa acaba. Na Bahia não acontece dessa forma, os filhos continuam a casa”, disse.

Foto: Hugo Oliveira. Acervo da Pesquisa


A problemática do não reconhecimento dessas culturas vai além do aspecto histórico, mas também parte para atos de preconceito e violência. Durante a pesquisa pessoas relataram passar por xingamentos, olhares enviesados, violência física, violência patrimonial, quando usam vestimentas são chamados de “macumbeiros”, têm terreiros invadidos, pedras jogadas, chamam a polícia, entre outros constrangimentos.

Foto: Katharyne Bezerra. Acervo da Pesquisa

Esse trabalho é, sem dúvida, de grande influência tanto para essas pessoas serem reconhecidas e para que possam ser vistas como parte da sociedade e da história, como também para os estudantes de arquitetura e urbanismo terem consciência da importância da área de patrimônio cultural e como devem ser agentes modificadores diante de uma sociedade que segrega. E é por isso que o professor conta que dois pontos o motivaram para realização desse trabalho: “O primeiro é contar a história deles, uma religião tão perseguida, que faz parte da nossa cultura e merece ser contada, e o segundo é a resistência, com todo esse processo de marginalização, perseguição, violência eles ainda resistem.”.

Concurso de Ideias para o Plano de Reabilitação do Centro Comercial de Caruaru com Foco na Mobilidade e Acessibilidade




O Curso de Arquitetura e Urbanismo do DeVry/UNIFAVIP em parceria com a CDL – Clube de Diretores Lojistas da cidade de Caruaru está promovendo o “CONCURSO DE IDEIAS PARA O PLANO DE REABILITAÇÃO DO CENTRO COMERCIAL DE CARUARU COM FOCO NA MOBILIDADE E ACESSIBILIDADE”



O objetivo do Concurso é classificar as três melhores propostas de Reabilitação para o Centro Comercial de Caruaru. O primeiro lugar ganhará R$ 5.000,00 o segundo R$ 3.000,00 e o terceiro R$ 2.000,00. Convidamos a todos os alunos e professores de Arquitetura e Urbanismo do DeVry/UNIFAVIP para participar desse importante processo, onde, além de colocar em prática os nossos conhecimentos, iremos contribuir com a melhoria da cidade de Caruaru.

Atenção para algumas informações importantes!!!

  • As inscrições poderão ser feitas de 05/04/2017 a 20/04/2017
  • As equipes podem ser compostas de três a cinco alunos, sob a orientação de, pelo menos, um professor do curso
  • As regras de participação do concurso estão no Edital 01/2017
  • Em caso de dúvidas, você pode entrar em contato com a Comissão Organizadora pelo email concurso.unifavip.cdl@gmail.com