Construindo o conceito desconstrutivista

A arquitetura desconstrutivista é um movimento surgido em meados dos anos 1980 que, diferente da arquitetura moderna, possibilita uma maior liberdade na forma e nos espaços, sem as limitações dos elementos geométricos simples e sem a obrigação da forma seguir a função. O resultado disso é algo totalmente diferente do que já foi visto até então, tendo como principais características a ausência de simetria, continuidade e harmonia. Essa nova maneira de criar e organizar espaços tem, em sua grande maioria, paredes que dispensam alinhamentos, vigas sem apoios e torcidas, curvas orgânicas e edifícios desprovidos da ortogonalidade. (MALARD, 2006)

Os edifícios desconstrutivistas dão “asas à imaginação”, tanto de quem os observam e vivenciam, quanto daqueles que os projetam. Porém, muitas dessas obras, só são possíveis graças aos programas de computadores e à evolução de técnicas construtivas e de materiais. (MALARD, 2006)

Inicialmente, alguns dos arquitetos conhecidos como desconstrutivistas foram influenciados pelas ideias do filósofo francês Jacques Derrida, que junto ao arquiteto Peter Eisenman, foram os precursores desse movimento. Eles propuseram uma série de rupturas em termos de conceito e forma e, desde então, diversos arquitetos se tornaram adeptos desse movimento como Frank Gehry, Zaha Hadid e Daniel Libeskind. (COLIN, 2009)

Gehry é de longe um dos mais ousados quando o assunto é desconstrução. Largamente conhecido na área, seus edifícios mais parecem que foram moldados pelos ventos, assemelhando-se, muitas vezes, à recortes de papel colados e sobrepostos, como no edifício Walt Disney Concert Hall (2003, Los Angeles). Essas características dão ao projeto sensações um tanto quanto contraditórias, pois é possível perceber uma leveza, gerada pelas curvas, ao mesmo tempo que o próprio volume dá uma sensação de robustez, resultado da grandiosidade que o mesmo possui. Esse movimento das ondulações do edifício simboliza o movimento musical. Porém, esses movimentos só foram possíveis graças às grandes estruturas de aço com colunas inclinadas à 17º.

Imagem 1: Walt Disney Concert Hall, Los Angeles, 2003, Frank Gehry.
Disponível em https://pixabay.com/pt/walt-disney-concerto-sal%C3%A3o-2380668/

Zaha Hadid tinha como principais características de seus projetos as formas não lineares, a fragmentação e as formas orgânicas como no Heydar Aliyev Center (2013, Azerbaijão). Neste vídeo é possível observar, de forma mais detalhada, toda a sinuosidade que esse edifício possui. No caso da Ópera Guangzhou (2010, Guangzhou) é perceptível o uso de linhas retas na composição desse volume irregular e assimétrico. O edifício está localizado numa região ribeirinha e rochosa, e é a partir daí que surge o partido. Usando a pedra como fonte de inspiração, a assimetria é a principal característica. Outro ponto que chama atenção é o fato do edifício estar sobre a água, lembrando de fato uma pedra em meio a um rio.


Imagem 2: Guangzhou Opera House, Guangzhou, 2010, Zaha Hadid.
Disponível em https://pixabay.com/pt/zaha-hadid-guangzhou-opera-house-2426093/

Diante disso, uma coisa é certa, a arquitetura desconstrutivista impressiona com tamanha liberdade de forma, provocando inquietação, curiosidade e emoção de quem está vivenciando a obra. Para saber mais sobre este tema, confira a dissertação de Gaylord Marques, da página 22 à 27, as infinitas possibilidades que o desconstrutivismo proporciona.


Por: Anderson Basílio
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Fontes:


MALARD, M. L. As aparências em arquitetura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

COLIN, S. V. Para entender o desconstrutivismo; Revista aU. Disponível em: <http://www.au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/181/para-entender-o-desconstrutivismo-estruturalismo-pos-estruturalismo-e-arquitetura-131095-1.aspx> Acesso em: 26 de setembro de 2017.

DELAQUA, Victor. "Casa de Ópera Guangzhou / Zaha Hadid Architects" 30 Mar 2012. ArchDaily Brasil. Acessado 20 Out 2017. <https://www.archdaily.com.br/40830/casa-de-pera-guangzhou-zaha-hadid-architects>
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Oleh

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