O segundo dia da viagem foi marcado pelas visitas à Cidade
Administrativa Presidente Tancredo Neves de Minas Gerais, ao Estádio do
Mineirão, ao Complexo da Pampulha - marcos da cidade de Belo Horizonte - e à Ocupação Dandara, a mais emocionante das visitas!
Começamos o dia pela Cidade
Administrativa de Minas Gerais, o projeto foi assinado por Oscar Niemeyer, a
pedido do então governador do estado Aécio Neves. O espaço consiste em uma
grande área verde, dois lagos e é formado por cinco edificações: dois prédios,
o Palácio do Governo, o Auditório Juscelino Kubitschek e o centro de
convivência.
A edificação do Palácio do Governo apresenta um grade vão
livre sustentada por apenas quatro pilares externos que formam dois pórticos,
sendo integrada com a área de convivência e as outras edificações. A estrutura
de vidro é suspensa por tirantes protendidos com aproximadamente 160 metros de
comprimento, além disso, a frente do palácio e a lateral do auditório possuem
uma esplanada em concreto, sem nenhuma vegetação aparente. Localizado a poucos
metros do Palácio, o Auditório Juscelino Kubitschek é recoberto por uma “casca”
de concreto que serve de coberta. A integração entre os edifícios proporciona
uma harmonia para o transeunte que por ali se desloca, sendo possível perceber
a escala que são dispostos no terreno.
Entretanto, a precária disposição de áreas com arborização
implantadas nos espaços abertos não contribui para formação de áreas sombreadas
que possam amenizar a incidência solar direta, evitando ilhas de calor para o
entorno e para as edificações, visto que são construídas majoritariamente por concreto
e vidro. Durante a visita debatemos sobre o impacto da inserção urbana deste equipamento de grande porte e sua (des)conexão com a cidade, relembrando o debate no dia anterior na Praça da Liberdade com o Arquiteto Carlos Maciel.
Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. Foto: Camila Leal
Continuando o roteiro definido para o dia, a próxima
edificação a ser estudada foi a Casa do Baile, já no Complexo da Pampulha. Um
projeto assinado também por Oscar Niemeyer, inconfundível pela sua notável
identidade advinda das curvas que parecem se fundir e integrar com a paisagem.
O paisagismo de Burle Marx faz comunicação e integração com todo o entorno e os
azulejos monocromáticos traz harmonia ao mesmo tempo que traça a sinuosidade do
percurso em curvas. Na sequencia seguimos para o Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, com sua imensa estrutura de concreto. Após a reforma de 2010,
para que o mesmo se enquadrasse ao Padrão Fifa e sediasse jogos da Copa do
Mundo de 2014, e também a eliminatória do Brasil pela Alemanha, o estádio recebeu
o "Selo Platinum do U.S. Green Building Council (USGBC), categoria máxima na certificação
Leadership in Energy and Environmental Design (LEED)." Dentre as várias medidas
sustentáveis tomadas durante a reforma, vale destacar a adição de painéis
fotovoltaicos na coberta do Estádio e o sistema de captação de água das chuvas.
Casa de Baile, Pampulha. Foto Camila Leal
Estádio Mineirão. Foto Lahys Barros
Seguindo a visita no Complexo da Pampulha chegamos ao Cassino da Pampulha, atual MAP (Museu de Arte da Pampulha), primeira construção do Complexo com forte influência de Le Corbusier. A
presença do vidro é fortemente identificada, principalmente nas fachadas, seu
interior é um convite para caminhar pelo espaço e perceber a dimensão da escala
entre o observador e o objeto. Além disso, grandes janelas horizontais fazem o
convite para o olhar a paisagem da Lagoa da
Pampulha. A edificação é composta ainda por um auditório e um café, também com
vistas privilegiadas. A visita à Igreja São Francisco de Assis representou o ápice do
roteiro na Pampulha, esta que é considerada a obra-prima do conjunto e uma das
primeiras obras de Oscar Niemeyer. Uma
capela num estilo totalmente inovador, mantendo os principais elementos da
igreja católica, a partir da liberdade plástica proporcionada pelo concreto.
Por fim, um pouco tímidos e "acanhados", mas guiados pela
vontade de explorar o "desconhecido" através dos professores Camila
Leal e Luiz Monte, fomos conhecer a Ocupação Dandara. Guiados por Sr. Orlando, um dos líderes
comunitários que junto com quase 150 famílias e apoiados sob seus direitos e
saberes legais, inclui-se o Plano Diretor de Belo Horizonte,
construíram seus lares numa região até então "sem donos". Ali estava
construído não só seus sonhos, canteiros, casas, igrejas, comércios, por trás
de tudo isso havia um idealismo, sabedoria, luta e muitos ensinamentos para nós
principalmente
Ocupação Dandara, Belo Horizonte. Fotos: Luiza Nascimento e Camila Leal
Após um pequeno circuito repleto de
surpresas e emoção, concluímos que estávamos num local histórico para o
urbanismo brasileiro. "Por que Dandara?", Orlando nos perguntou e ele mesmo
nos respondeu, - Sabem a esposa de Zumbi dos Palmares? Porque ele não lutou
sozinho!". Só chegamos em algum lugar quando sabemos o que
queremos e Dandara nos mostra exatamente isso.
Relatos de Jaqueline Caetano, Juliana Rego, Letícia Menezes, Maria Aline e Nycole Valentim
Revisado por Valquiane Ferreira e Camila Leal
Revisado por Valquiane Ferreira e Camila Leal
Dia 02- Belo Horizonte (24.10.2017)
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Oleh
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